O sono do tetra
Em tempos tão acelerados, não há ser humano que consiga passar ileso a um cocktail de medicamentos que segure a batida dos dias. Sendo assim, eu me declaro mais um desses que precisa regularmente de sua Losartana Potássica, do Hidrocin, do Dorflex, do Montelair, do Naldecon, do Allegra D. Porém, sei que há o revés pelo uso de alguns desses remédios. O efeito mais recorrente é o sono, desses que faz com que se durma de pé ou em uma posição que exija esforço ao contorcionista. É uma troca. Sei dos riscos, mas tenho que respirar, desacelerar e sentir a cabeça livre de pontadas. Em uma dessas ocasiões em que fui envolvido por uma sonolência irresistível, eu me rendi incondicionalmente, ao contrário de batalhas de minutos que travei no passado entre o piscar constante de olhos e a negação. Quando ultrapassei a névoa da realidade, eu me vi em um estádio grande, diante de milhares de pessoas. Mascava um chiclete bem gasto de menta. Sem saber bem por quê, o meu olhar ...