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Galos não são o sol só porque cantam no alvorecer

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                                                          Crédito foto: Thiago Ribeiro (Agif)                                             No excelente livro “Onze Anéis”, do técnico Phil Jackson, que comandou os esquadrões campeões do Chicago Bulls e Los Angeles Lakers, o treinador fala das dificuldades de se correr atrás de um segundo título depois de alcançar o topo. Em um dos episódios da terceira temporada de “The Sinner”, o personagem Nick Haas, interpretado pelo ator Chris Messina, diz que a única coisa que resta ao alcançar o topo é se jogar de lá. Através de suas vivências, Jackson demonstra que conseguir uma nova jornada vitoriosa exige  humildade em dobro, foco e determinação, pois muitos dos agentes principais da...

Confessionário #1 - Miguel Marques

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Miguel Marques é um comediante com mais de vinte anos de estrada. Começou divertindo seus amigos no colégio e no clube onde jogava Futsal como goleiro. O humor sempre foi uma ferramenta indissociável de sua personalidade. Nos dias de hoje, o homem apelidado por seus pares como “O Gigante da Comédia” integra o staff da Rádio Tupi, campeã de audiência com os programas do Antônio Carlos e Patrulha da Cidade, lugares onde ele desfila seu talento.  O Gigante da Comédia me cedeu uns tostões de seu tempo para falar de comédia, trabalhos e política. Acompanhem! 1. A comédia é um dom inato? Eu acho até que a pessoa pode até ter uma predisposição para fazer comédia, um DNA engraçado pela essência dela. E não necessariamente ela pode ser desenvolvida como em qualquer outra técnica. Tudo tem uma cartilha, tudo tem uma régua, e o humor é a mesma coisa, a mesma nuance. Tem coisas que você sabe que vão ser engraçadas e outras que são do improviso, de tanto você fazer. Não nece...

Em tempos de quarentena

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Nesses períodos de quarentena, eu tenho acordado tão cedo quanto na época em que tinha que ir ao meu local de trabalho. Dessa vez, o relógio biológico teve que se contentar em ser substituído pela campainha do telefone fixo. Já ia me dirigindo para atender, pensando que só podia ser o Moacyr Franco oferecendo Ômega 3 ou o pessoal de algum presídio que tinha sequestrado novamente um filho que não tenho. Para minha surpresa, a voz que sai do outro lado da linha, embora contenha o seu grau de terror, não era de nenhuma das duas opções imaginadas.  “Ruuuuuuuuuuuuuuuy! Coooooooooomo você está???” “L., como você conseguiu esse n... Deixa pra lá! Melhor nem saber” Aos desavisados de plantão e marinheiros de primeira hora, eu informo a existência de L., a minha perseguidora implacável, a criatura que insiste em burlar a minha certidão de nascimento e a minha carteira de identidade. O incrível dessa ocasião é que nem eu mesmo tinha decorado esse número de telefone fixo, o que...

Fogo no parquinho

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Como já havia falado em uma crônica anterior, eu tenho a necessidade diária de tomar remédios para me colocar no prumo para encarar o cotidiano. Citei alguns anteriormente, mas, como a memória do brasileiro é muito curta, eu me proponho a recolocá-los por aqui. São eles: Hidrocin, Naldecon, Losartana Potássica, Hidrocloratiazida, Dorflex, Montelair e outros que me abstenho de citar para não influenciar mal as crianças.  A verdade é que descobri que esse cocktail começou a me trazer um sono incomum nos últimos tempos. Um torpor capaz de me fazer dormir de pé, no meio de um pagamento de uma conta bancária. Outra característica marcante é que passei a ter sonhos durante esses apagões. E não apenas isso, mas também comecei a viver uma situação incomum. Durante sonhos bem vivos, eu me vejo transportado para o corpo de alguém, do passado ou do presente, tomando atitudes ou vivendo situações capitais no lugar daquele indivíduo. Há uns dias eu fui Telê Santana, mas não consegui muda...

O sono do tetra

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Em tempos tão acelerados, não há ser humano que consiga passar ileso a um cocktail de medicamentos que segure a batida dos dias. Sendo assim, eu me declaro mais um desses que precisa regularmente de sua Losartana Potássica, do Hidrocin, do Dorflex, do Montelair, do Naldecon, do Allegra D. Porém, sei que há o revés pelo uso de alguns desses remédios. O efeito mais recorrente é o sono, desses que faz com que se durma de pé ou em uma posição que exija esforço ao contorcionista. É uma troca. Sei dos riscos, mas tenho que respirar, desacelerar e sentir a cabeça livre de pontadas.  Em uma dessas ocasiões em que fui envolvido por uma sonolência irresistível, eu me rendi incondicionalmente, ao contrário de batalhas de minutos que travei no passado entre o piscar constante de olhos e a negação.  Quando ultrapassei a névoa da realidade, eu me vi em um estádio grande, diante de milhares de pessoas. Mascava um chiclete bem gasto de menta. Sem saber bem por quê, o meu olhar ...

Sucessão na selva

Depois de muitos anos como o Rei da Selva, o Leão estava resolvido a passar o trono. Só não havia calculado como faria tal coisa. Ele acreditava ter cumprido um ciclo e que não havia sentido tentar transferir o poder para os filhos, que possuíam idades muito abaixo da idade adulta. Embora ainda tivesse algum apego ao cargo, passar a vez se fazia necessário. E o boato desse desejo já fazia algumas mãos se esfregarem de satisfação.  Apesar de suas tendências predatórias, o grande felino havia feito um governo bom em muitos pontos e deixado pouco sangue e carniças pelo caminho, o que desagradava as aves de rapina e outros bichos habituados a se alimentar de restos de gestões anteriores. Os pequenos e médios animais demonstravam gratidão pelo governante por conquistas inéditas e liberdades na história do reino.  No entanto, os grandes (e alguns médios que se pensavam grandes) animais não tinham tanto apreço assim pelo chefe, conservavam mágoa pela forma como a fauna do ba...