Em tempos de quarentena
Nesses períodos de quarentena, eu tenho acordado tão cedo quanto na época em que tinha que ir ao meu local de trabalho. Dessa vez, o relógio biológico teve que se contentar em ser substituído pela campainha do telefone fixo. Já ia me dirigindo para atender, pensando que só podia ser o Moacyr Franco oferecendo Ômega 3 ou o pessoal de algum presídio que tinha sequestrado novamente um filho que não tenho. Para minha surpresa, a voz que sai do outro lado da linha, embora contenha o seu grau de terror, não era de nenhuma das duas opções imaginadas. “Ruuuuuuuuuuuuuuuy! Coooooooooomo você está???” “L., como você conseguiu esse n... Deixa pra lá! Melhor nem saber” Aos desavisados de plantão e marinheiros de primeira hora, eu informo a existência de L., a minha perseguidora implacável, a criatura que insiste em burlar a minha certidão de nascimento e a minha carteira de identidade. O incrível dessa ocasião é que nem eu mesmo tinha decorado esse número de telefone fixo, o que...